domingo, 17 de abril de 2011

SÚPLICA - Miguel Torga


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
As urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.


Um comentário:

  1. Esse poema é de uma singulariedade e tanto, que figuras...

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