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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ARQUEADA - Bruna Lombardi


quando você me deu um beijo na boca
senti a mesma coisa louca e doce
que você
a gente se enxergou uma na outra
eu nunca te vi tão bonita assim
de cara lavada
nem tão aflita pra ser tocada
por mim
eu nunca te vi tão suspensa
tão bendita
tão molhada.

domingo, 1 de maio de 2011

MOTO-CONTÍNUO - Bruna Lombardi


Eu não sabia o que fazer e abri a blusa
mais tarde eu ia dizer foi sem pensar
ele me achou desnorteada, confusa
como acharia qualquer mulher que abre a blusa
e faz tudo que fiz só pra agradar

minha cabeça não era mesmo muito certa
mulher esperta eu nunca fui, mas deveria
saber me colocar no meu lugar
não adiantava nada, eu era assim desatinada
o tipo de mulher que faz as coisas sem pensar.

Você agora, me ouvindo contar essas histórias
talvez me ache, também, um pouco confusa
e eu, que faço tudo pra agradar
já sem saber o que fazer abro minha blusa
como faria qualquer mulher confusa no meu lugar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

UMA MULHER - Bruna Lombardi


Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la 
nua no quarto pouco se sabe dela

a cor da pele, dos pelos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas 
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca

uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: o colo, as axilas, a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora

o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.

                                  (Do livro  O perigo do dragão)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um poema de Bruna Lombardi

Sei que tenho deixado
meus grampos espalhados
por onde passo
e de vez em quando
gosto mais das pessoas
do que elas de mim
mas penso
que consegui me salvar
do meu potencial de tragédia
apesar da minha natureza
inquieta
mas nunca perdi a mania
de achar que as lagartixas
dão sorte
e que em tudo há
significados estranhos.