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sábado, 7 de maio de 2011

Um poema de Elizabeth Bishop


Juntas, coladas, a noite toda,
as amantes estremecem durante o sono
próximas como as páginas do mesmo livro 
que se leem no escuro.
Cada uma sabe a outra
de cor, minuciosamente 
da cabeça aos pés.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

UMA ARTE - Elizabeth Bishop


A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.


Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.


Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente
da viagem não feita. Nada disso é sério.


Perdi o relógio de mamãe. Ah! e nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.


Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.


- Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

                  (Tradução de Paulo Henriques Brito)